PROFANAÇÃO
PROFANAÇÃO Fogem-me as palavras, escorrem dos dicionários, apagam-se, tornam-se indecifráveis ante a fúria da besta que solta vocifera. Não há termos capazes de definir esse aluvião de perversidades. A bandeira do ódio foi hasteada sobre inúmeros mastros e, saída dos guetos da estupidez e do obscurantismo, criou pernas e livremente corre ruas, invade casas, derruba florestas, profana corpos, destrói e mata. A cada dia, novo horror desfila na passarela da bestice e se ajunta a outras tantas insanidades depositadas num altar satânico cheirando a enxofre. Peregrino em busca de palavras, se não para definir o indefinível, ao menos para tentar fazer borda a um real que nos escapa e que nos ronda e invade. Ali está um corpo feminino na plenitude da sua concepção e em seu momento mais sagrado, o de dar à luz um ser humano, um filho. Onde está o marido e pai da criança? Fora impedido de participar desse momento destinado ao sublime, convertido em miséria p...